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Pentest: o que é, como funciona e quanto custa

Pentest, ou teste de invasão, é um ataque autorizado contra os sistemas da empresa para encontrar as falhas antes de alguém mal-intencionado. Este guia explica como funciona, que tipos existem, o que você deve receber no fim e como avaliar uma proposta.

Equipe XPSec SecurityAtualizado em 5 min de leitura

Neste guia+
  1. O que é um pentest
  2. Por que as empresas fazem pentest
  3. Tipos de pentest por alvo
  4. Caixa preta, cinza ou branca
  5. Como funciona um pentest, etapa por etapa
  6. O que você deve receber no final
  7. Quanto tempo leva e quanto custa
  8. Com que frequência fazer
  9. Como escolher uma empresa de pentest
  10. Riscos e cuidados durante o teste

O que é um pentest

No pentest, especialistas usam as mesmas técnicas de um atacante real contra aplicações, redes ou ambientes de nuvem da empresa. A diferença é que tudo acontece com autorização por escrito, escopo definido e janela combinada. O objetivo é responder a uma pergunta prática: o que alguém conseguiria fazer hoje se quisesse atacar a empresa?

Um pentest não termina na lista de falhas. A equipe explora cada vulnerabilidade para provar que ela funciona, mede até onde dá para chegar a partir dela e explica como corrigir. É isso que separa o pentest de uma varredura automática.

Diferenças entre varredura de vulnerabilidades e pentest
Varredura automáticaPentest
Quem fazUma ferramentaEspecialistas, com apoio de ferramentas
O que encontraFalhas conhecidas, por versão e assinaturaTambém falhas de lógica de negócio e combinações entre falhas
Falso positivoComumCada falha é confirmada antes de entrar no relatório
ImpactoNota genérica de severidadeO que um atacante conseguiria fazer na sua empresa
Uso idealRotina, semanal ou mensalValidação periódica e antes de mudanças importantes

Por que as empresas fazem pentest

Na prática, o pentest costuma ser contratado por um destes motivos:

  • Exigência de cliente ou contrato. Empresas que atendem bancos, varejo grande ou multinacionais costumam precisar apresentar um relatório de pentest recente.
  • Regulação e auditoria. O PCI DSS (requisito 11.4) exige teste de invasão pelo menos uma vez por ano e após mudanças significativas. A Resolução CMN 4.893 do BACEN pede testes e varreduras periódicas para detectar vulnerabilidades. A LGPD (art. 46) exige medidas técnicas de segurança, e o pentest é a evidência de que elas foram testadas. Veja mais em LGPD e pentest.
  • Lançamento de produto ou API. Testar antes de abrir para o público custa muito menos do que corrigir depois de um incidente.
  • Fusões, aquisições e investimento. O pentest entra na due diligence para medir o risco técnico do que está sendo comprado.
  • Depois de um incidente. Para entender por onde mais um atacante poderia entrar.

Tipos de pentest por alvo

O tipo de pentest é definido pelo que vai ser testado. Um mesmo projeto pode juntar vários alvos.

Tipos de pentest, o que cada um testa e exemplo de falha
AlvoO que se testaExemplo de falha
Aplicação webAutenticação, autorização, sessões, entradas de dados e regras de negócioUm cliente consegue ver o pedido de outro trocando um número na URL (IDOR)
APIEndpoints REST e GraphQL, tokens, limites de uso, exposição de dadosToken JWT aceito sem validar a assinatura
Aplicativo mobileApp Android e iOS, armazenamento local e comunicação com o back-endChave de API guardada em texto dentro do app
Infraestrutura externaTudo que está exposto na internet: servidores, VPN, e-mail, DNSPainel administrativo publicado sem MFA
Rede interna e Active DirectoryO que um funcionário ou máquina comprometida alcança dentro da redeSenha de conta de serviço quebrada por Kerberoasting
CloudPermissões e configuração em AWS, Azure e GCPBucket de armazenamento com backups abertos ao público

Para ver as falhas que mais aparecem na prática, leia as 10 vulnerabilidades mais encontradas em pentests no Brasil.

Caixa preta, cinza ou branca

A abordagem define quanta informação a equipe de teste recebe antes de começar. Nenhuma é melhor que as outras em geral; cada uma responde a uma pergunta diferente.

Comparação entre pentest caixa preta, cinza e branca
AbordagemO que a equipe recebeSimulaQuando usar
Caixa pretaSó o alvo (um domínio, uma faixa de IP)Atacante externo sem nenhum acessoMedir o que está exposto para qualquer pessoa
Caixa cinzaUsuários de teste e documentação básicaCliente, parceiro ou funcionário mal-intencionadoAplicações com área logada; é a mais comum
Caixa brancaCódigo-fonte, arquitetura e acessosAtacante com conhecimento internoCobrir mais em menos tempo, sistemas críticos

Como funciona um pentest, etapa por etapa

  1. 1

    Escopo e regras de engajamento

    Definem alvos, abordagem, janela de execução, contatos de emergência e o que não pode ser feito (por exemplo, testes de negação de serviço). Contrato e NDA são assinados antes de qualquer teste.

  2. 2

    Reconhecimento

    Coleta de informações sobre o alvo: subdomínios, tecnologias, versões, funcionários expostos, documentação pública.

  3. 3

    Mapeamento e análise

    Ferramentas e testes manuais apontam possíveis falhas. Aqui ainda são hipóteses.

  4. 4

    Exploração

    Cada hipótese é testada. Só vira achado o que de fato funciona, com evidência.

  5. 5

    Pós-exploração

    A partir de uma falha confirmada, a equipe mede até onde consegue chegar: outros sistemas, dados sensíveis, privilégios de administrador.

  6. 6

    Relatório

    Documento técnico e documento executivo, apresentados em reunião com o time.

  7. 7

    Reteste

    Depois das correções, os mesmos pontos são testados de novo para confirmar que foram fechados.

Os frameworks mais usados para guiar esse processo são o OWASP Web Security Testing Guide, o PTES e o NIST SP 800-115. Para se preparar antes do início, veja como preparar sua empresa antes de um pentest.

O que você deve receber no final

  • Relatório técnico: cada falha com descrição, evidência (prints e requisições), passo a passo para reproduzir, severidade (normalmente CVSS) e recomendação de correção.
  • Relatório executivo: o risco em linguagem de negócio, para a diretoria entender o que está em jogo sem ler o detalhe técnico.
  • Plano de correção priorizado: por onde começar, considerando o impacto real e não só a nota de severidade.
  • Resultado do reteste: a confirmação de que as falhas corrigidas foram de fato fechadas.

Quanto tempo leva e quanto custa

O preço depende do tamanho do escopo: quantas aplicações, quantos perfis de usuário, quantos endpoints de API, quantos IPs. Também pesam a abordagem escolhida, a janela de execução (testes fora do horário comercial custam mais) e se o reteste está incluído.

Faixas de prazo e preço de pentest no mercado brasileiro
EscopoDuração típicaFaixa de preço
Aplicação web simples1 a 2 semanasR$ 15 mil a R$ 40 mil
Aplicação complexa com APIs2 a 4 semanasR$ 40 mil a R$ 90 mil
Infraestrutura de rede1 a 3 semanasR$ 25 mil a R$ 70 mil
Ambiente de nuvem2 a 4 semanasR$ 35 mil a R$ 80 mil
App mobile com back-end2 a 3 semanasR$ 30 mil a R$ 60 mil

São faixas de referência. O orçamento real sai depois de uma conversa de escopo. Desconfie de preço fechado sem nenhuma pergunta sobre o seu ambiente.

Com que frequência fazer

A referência mínima é uma vez por ano, que é o que o PCI DSS exige. Além disso, vale repetir sempre que houver mudança significativa: um sistema novo, uma migração para a nuvem, uma integração com parceiro ou uma reestruturação de rede.

Empresas que mudam muito rápido costumam combinar o pentest anual com monitoramento contínuo da superfície de ataque. Entenda como funciona em gestão de superfície de ataque.

Como escolher uma empresa de pentest

Faça estas perguntas antes de assinar:

  • O teste é manual ou é uma ferramenta com relatório em cima?
  • Quem executa? A equipe é própria ou o serviço é terceirizado?
  • Que certificações a equipe tem? OSCP, eCPPT e eWPTX são referências em segurança ofensiva. Veja o guia de certificações.
  • Posso ver um relatório de exemplo?
  • O reteste está incluso no preço?
  • Como vocês tratam os dados encontrados durante o teste?

Riscos e cuidados durante o teste

Um pentest bem conduzido raramente causa indisponibilidade, mas alguns cuidados reduzem o risco a quase zero: combinar a janela de execução, ter backup recente, definir um contato técnico de plantão e deixar claro o que é proibido. Quando há dúvida sobre a estabilidade de um sistema, o teste pode começar em homologação, desde que o ambiente seja parecido com o de produção.

Perguntas frequentes

Se a sua dúvida não estiver aqui, pergunte direto para a equipe.

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Pentest é legal?

Sim, quando há autorização por escrito do responsável pelos sistemas. Sem autorização, invadir dispositivo é crime no Brasil (Lei 12.737/2012, art. 154-A do Código Penal). Por isso contrato e escopo assinados vêm antes de qualquer teste.

Qual a diferença entre pentest e varredura de vulnerabilidades?

A varredura é automática e aponta falhas conhecidas, com muito falso positivo. O pentest é conduzido por especialistas, confirma cada falha explorando-a e encontra problemas de lógica que nenhuma ferramenta detecta.

O pentest pode derrubar meus sistemas?

É raro. Os testes são controlados e combinados com a sua equipe: escopo, horário e limites ficam definidos antes. Técnicas com risco de indisponibilidade só são usadas com autorização explícita.

Quanto custa um pentest?

Depende do escopo. No mercado brasileiro, uma aplicação web simples costuma ficar entre R$ 15 mil e R$ 40 mil, e projetos maiores passam de R$ 90 mil. O preço real sai depois de uma conversa sobre o ambiente.

Preciso avisar a equipe de TI?

No pentest, sim: a equipe sabe do teste e ajuda com acessos e janelas. Quando o objetivo é medir se a defesa detecta um ataque sem aviso, o serviço é outro: o Red Team.

Pentest serve para a LGPD?

A LGPD exige medidas técnicas para proteger dados pessoais. O pentest mostra que essas medidas foram testadas e gera a documentação que auditores e a ANPD costumam pedir.

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