
O que é Pentest e por que sua empresa precisa de um?
Entenda como funciona um teste de invasão, o que ele avalia e por que esperar um incidente para agir pode custar milhões à sua organização.
Pentest, ou teste de invasão, é um ataque autorizado contra os sistemas da empresa para encontrar as falhas antes de alguém mal-intencionado. Este guia explica como funciona, que tipos existem, o que você deve receber no fim e como avaliar uma proposta.
Equipe XPSec SecurityAtualizado em 5 min de leitura
No pentest, especialistas usam as mesmas técnicas de um atacante real contra aplicações, redes ou ambientes de nuvem da empresa. A diferença é que tudo acontece com autorização por escrito, escopo definido e janela combinada. O objetivo é responder a uma pergunta prática: o que alguém conseguiria fazer hoje se quisesse atacar a empresa?
Um pentest não termina na lista de falhas. A equipe explora cada vulnerabilidade para provar que ela funciona, mede até onde dá para chegar a partir dela e explica como corrigir. É isso que separa o pentest de uma varredura automática.
| Varredura automática | Pentest | |
|---|---|---|
| Quem faz | Uma ferramenta | Especialistas, com apoio de ferramentas |
| O que encontra | Falhas conhecidas, por versão e assinatura | Também falhas de lógica de negócio e combinações entre falhas |
| Falso positivo | Comum | Cada falha é confirmada antes de entrar no relatório |
| Impacto | Nota genérica de severidade | O que um atacante conseguiria fazer na sua empresa |
| Uso ideal | Rotina, semanal ou mensal | Validação periódica e antes de mudanças importantes |
Na prática, o pentest costuma ser contratado por um destes motivos:
O tipo de pentest é definido pelo que vai ser testado. Um mesmo projeto pode juntar vários alvos.
| Alvo | O que se testa | Exemplo de falha |
|---|---|---|
| Aplicação web | Autenticação, autorização, sessões, entradas de dados e regras de negócio | Um cliente consegue ver o pedido de outro trocando um número na URL (IDOR) |
| API | Endpoints REST e GraphQL, tokens, limites de uso, exposição de dados | Token JWT aceito sem validar a assinatura |
| Aplicativo mobile | App Android e iOS, armazenamento local e comunicação com o back-end | Chave de API guardada em texto dentro do app |
| Infraestrutura externa | Tudo que está exposto na internet: servidores, VPN, e-mail, DNS | Painel administrativo publicado sem MFA |
| Rede interna e Active Directory | O que um funcionário ou máquina comprometida alcança dentro da rede | Senha de conta de serviço quebrada por Kerberoasting |
| Cloud | Permissões e configuração em AWS, Azure e GCP | Bucket de armazenamento com backups abertos ao público |
Para ver as falhas que mais aparecem na prática, leia as 10 vulnerabilidades mais encontradas em pentests no Brasil.
A abordagem define quanta informação a equipe de teste recebe antes de começar. Nenhuma é melhor que as outras em geral; cada uma responde a uma pergunta diferente.
| Abordagem | O que a equipe recebe | Simula | Quando usar |
|---|---|---|---|
| Caixa preta | Só o alvo (um domínio, uma faixa de IP) | Atacante externo sem nenhum acesso | Medir o que está exposto para qualquer pessoa |
| Caixa cinza | Usuários de teste e documentação básica | Cliente, parceiro ou funcionário mal-intencionado | Aplicações com área logada; é a mais comum |
| Caixa branca | Código-fonte, arquitetura e acessos | Atacante com conhecimento interno | Cobrir mais em menos tempo, sistemas críticos |
Definem alvos, abordagem, janela de execução, contatos de emergência e o que não pode ser feito (por exemplo, testes de negação de serviço). Contrato e NDA são assinados antes de qualquer teste.
Coleta de informações sobre o alvo: subdomínios, tecnologias, versões, funcionários expostos, documentação pública.
Ferramentas e testes manuais apontam possíveis falhas. Aqui ainda são hipóteses.
Cada hipótese é testada. Só vira achado o que de fato funciona, com evidência.
A partir de uma falha confirmada, a equipe mede até onde consegue chegar: outros sistemas, dados sensíveis, privilégios de administrador.
Documento técnico e documento executivo, apresentados em reunião com o time.
Depois das correções, os mesmos pontos são testados de novo para confirmar que foram fechados.
Os frameworks mais usados para guiar esse processo são o OWASP Web Security Testing Guide, o PTES e o NIST SP 800-115. Para se preparar antes do início, veja como preparar sua empresa antes de um pentest.
O preço depende do tamanho do escopo: quantas aplicações, quantos perfis de usuário, quantos endpoints de API, quantos IPs. Também pesam a abordagem escolhida, a janela de execução (testes fora do horário comercial custam mais) e se o reteste está incluído.
| Escopo | Duração típica | Faixa de preço |
|---|---|---|
| Aplicação web simples | 1 a 2 semanas | R$ 15 mil a R$ 40 mil |
| Aplicação complexa com APIs | 2 a 4 semanas | R$ 40 mil a R$ 90 mil |
| Infraestrutura de rede | 1 a 3 semanas | R$ 25 mil a R$ 70 mil |
| Ambiente de nuvem | 2 a 4 semanas | R$ 35 mil a R$ 80 mil |
| App mobile com back-end | 2 a 3 semanas | R$ 30 mil a R$ 60 mil |
São faixas de referência. O orçamento real sai depois de uma conversa de escopo. Desconfie de preço fechado sem nenhuma pergunta sobre o seu ambiente.
A referência mínima é uma vez por ano, que é o que o PCI DSS exige. Além disso, vale repetir sempre que houver mudança significativa: um sistema novo, uma migração para a nuvem, uma integração com parceiro ou uma reestruturação de rede.
Empresas que mudam muito rápido costumam combinar o pentest anual com monitoramento contínuo da superfície de ataque. Entenda como funciona em gestão de superfície de ataque.
Faça estas perguntas antes de assinar:
Um pentest bem conduzido raramente causa indisponibilidade, mas alguns cuidados reduzem o risco a quase zero: combinar a janela de execução, ter backup recente, definir um contato técnico de plantão e deixar claro o que é proibido. Quando há dúvida sobre a estabilidade de um sistema, o teste pode começar em homologação, desde que o ambiente seja parecido com o de produção.
Se a sua dúvida não estiver aqui, pergunte direto para a equipe.
Enviar uma perguntaSim, quando há autorização por escrito do responsável pelos sistemas. Sem autorização, invadir dispositivo é crime no Brasil (Lei 12.737/2012, art. 154-A do Código Penal). Por isso contrato e escopo assinados vêm antes de qualquer teste.
A varredura é automática e aponta falhas conhecidas, com muito falso positivo. O pentest é conduzido por especialistas, confirma cada falha explorando-a e encontra problemas de lógica que nenhuma ferramenta detecta.
É raro. Os testes são controlados e combinados com a sua equipe: escopo, horário e limites ficam definidos antes. Técnicas com risco de indisponibilidade só são usadas com autorização explícita.
Depende do escopo. No mercado brasileiro, uma aplicação web simples costuma ficar entre R$ 15 mil e R$ 40 mil, e projetos maiores passam de R$ 90 mil. O preço real sai depois de uma conversa sobre o ambiente.
No pentest, sim: a equipe sabe do teste e ajuda com acessos e janelas. Quando o objetivo é medir se a defesa detecta um ataque sem aviso, o serviço é outro: o Red Team.
A LGPD exige medidas técnicas para proteger dados pessoais. O pentest mostra que essas medidas foram testadas e gera a documentação que auditores e a ANPD costumam pedir.

Entenda como funciona um teste de invasão, o que ele avalia e por que esperar um incidente para agir pode custar milhões à sua organização.

Um panorama das falhas que mais aparecem em testes de invasão reais e o que sua equipe pode fazer para corrigi-las antes do próximo teste.

O que definir, o que documentar e o que comunicar internamente para que o teste de invasão entregue o máximo de valor sem surpresas para ninguém.
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